Páginas de Boêmia – XIV A lenda dos amores IV
Não és mais bela, não, quando mergulhas
Em veludo os contornos palpitantes,
Nem quando em teus cabelos odorantes
Cintilam os rubis como fagulhas.
Tu me cravas desejos, como agulhas,
Eléctricos, nervosos, irritantes
Como a tosse dos tísicos amantes,
Que inflama do tubérculo as borbulhas...
Uns desejos estranhos, fortes, novos,
Que saltam, indomáveis, aos corcovos,
Como um touro enlaçado pelas guampas!
Quando, após um duelo atroz de abraços,
Prisioneira de gozo entre meus braços,
Vivandeira de amor, sorrindo acampas!