Páginas de Boêmia – XIV A lenda dos amores V
Tens às vezes o gelo dos cristais
E a transparência vítrea das redomas,
Quando cerras as pálpebras e domas
Os potros dos desejos sensuais...
Como as nuvens em fortes temporais,
Inflamam-se a tremer as tuas pomas...
E desmaias, lasciva, ébria de aromas,
Em volúpias sombrias, infernais!...
És o Anjo do Mal!... bem o previa...
Tens o riso insolente da ironia
E o cínico disfarce da bacante!
Perdoa-me, Senhora! eu sou um louco:
De amor vou definhando pouco a pouco...
De ciúme te insulto a todo o instante!...