Para ter coragem

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Esgueirado na sombra escura dos pinheiros,

O Francisco desceu ao velho dormidouro,

Onde deitado estava, a ruminar, um touro

De olhares de ametista e altos chifres franqueiros.

Chegou e aos pontapés sobre os quartos traseiros

Desse humilde animal, de aveludado couro,

Fê-lo erguer-se do chão, num terrível estouro,

E no chão esfregou os seus braços mateiros.

Vinha ao touro pedir, dos músculos de guaxo

A rigidez, para jamais viver por baixo,

Para jamais recuar de façanhas audazes...

E, já pela manhã e nas sombras da tarde,

O Francisco, que, até então, era um covarde,

Ficou sendo o terror de todos os rapazes.