Para voltar

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Praia amorosa, aquela. E, sob o céu doirado,

De um maio todo em flor, em carícias desfeito,

O Domingos dormia, afoito, sossegado,

Como se a praia fosse o seu macio leito.

Dormia o pescador, de um velho rancho ao lado,

E as suas rijas mãos, cruzadas sobre o peito,

Eram como as de quem, num leve sonho alado,

Reza cheio de fé profunda; satisfeito,

Chegara de arriar muitas braças de rede...

E enquanto a luz do sol não subisse à parede,

No aconchego da praia a dormir ficaria,

Descansando na areia, umas horas, à fresca,

Para voltar de novo ao trabalho da pesca,

Na conquista febril do pão de cada dia.