PARÁBOLA, A ARARA

By José Joaquim Correia de Almeida

Amarela azul vermelha,

ave de ruins cantilenas,

a arara não tem parelha

na garridice das penas.

Do lustre das vivas cores

não é conclusão forçosa

que, sem ter outros primores,

a arara seja formosa.

No pisar desengraçada,

palradora de voz grossa,

recomendá-la (coitada!)

é provável que eu não possa.

Só a vaidade e mau gosto

de mulheres presumidas

a beleza têm suposto

anexa às cores garridas.

Não há nos meneios graça,

não nos falam com doçura;

seu comprimento não passa

de beijoca ou de mesura.

No azul vermelho e amarelo

dessas fazendas tão caras

achais que consiste o belo,

Senhoras Donas Araras?