PARÁBOLA, A ARARA
Amarela azul vermelha,
ave de ruins cantilenas,
a arara não tem parelha
na garridice das penas.
Do lustre das vivas cores
não é conclusão forçosa
que, sem ter outros primores,
a arara seja formosa.
No pisar desengraçada,
palradora de voz grossa,
recomendá-la (coitada!)
é provável que eu não possa.
Só a vaidade e mau gosto
de mulheres presumidas
a beleza têm suposto
anexa às cores garridas.
Não há nos meneios graça,
não nos falam com doçura;
seu comprimento não passa
de beijoca ou de mesura.
No azul vermelho e amarelo
dessas fazendas tão caras
achais que consiste o belo,
Senhoras Donas Araras?