PARÁBOLA, A AROEIRA

By José Joaquim Correia de Almeida

Um peregrino viandante,

Coberto de pó e suor,

Não pôde seguir avante,

Do sol exposto ao rigor.

A uma árvore frondosa,

Onde a púrpura reluz,

Eis que se acolhe, e assim goza

De aura amena que o seduz.

Daí a poucos momentos

Seu rosto é cor de carmim,

A erupção traz-lhe tormentos,

Cutânea moléstia ruim.

Qual seria, ou não seria

Da doença a causa má?

Procurou ao meio-dia

Sombra que a aroeira dá.

E quantas vezes na vida

Isto mesmo não se faz?!

Muita sombra nos convida,

Qual de aroeira falaz.

Há chusma de protetores,

Protetores a granel,

Que, repartindo favores,

São aroeira infiel.