PARÁBOLA, A AROEIRA
Um peregrino viandante,
Coberto de pó e suor,
Não pôde seguir avante,
Do sol exposto ao rigor.
A uma árvore frondosa,
Onde a púrpura reluz,
Eis que se acolhe, e assim goza
De aura amena que o seduz.
Daí a poucos momentos
Seu rosto é cor de carmim,
A erupção traz-lhe tormentos,
Cutânea moléstia ruim.
Qual seria, ou não seria
Da doença a causa má?
Procurou ao meio-dia
Sombra que a aroeira dá.
E quantas vezes na vida
Isto mesmo não se faz?!
Muita sombra nos convida,
Qual de aroeira falaz.
Há chusma de protetores,
Protetores a granel,
Que, repartindo favores,
São aroeira infiel.