PARÁBOLA, A PERDIZ E O TICO-TICO DO CAMPO
É o caçador muitas vezes
Iludido pelo cão,
E quando menos o espera
Sofre amarga decepção.
Esse fiel companheiro,
De prestimoso nariz,
Parece ter farejado
O rasto de uma perdiz.
Anda e desanda inquieto,
Para avante e para trás,
Dar mil voltas e revoltas
Ao caçador ele faz.
E no momento solene
Do tiro se disparar,
Não perdiz, mas fico-fico
Surde da mouta a voar.
Então o justo despeito,
Que bem cabido aqui é,
Aconselha contra o bruto
Formidável pontapé.
Nesses catálogos
De livraria
Joio, avaria
Eu digo que há.
Leitor simplório
Quantas e quantas
E quantas mantas
Não levará!
Pomposo anúncio
Serve à lisonja,
E passa a esponja
Sobre o que é mau.
Esta ruim prática
Produz efeito,
Rende-lhe preito
Muito patau.
Do prelo espera-se
Livro excelente
E ao lê-lo a gente
Torce o nariz;
Vindo a propósito
O caso rico
Do fico-fico,
E da perdiz.