PARÁBOLA, A PERDIZ E O TICO-TICO DO CAMPO

By José Joaquim Correia de Almeida

É o caçador muitas vezes

Iludido pelo cão,

E quando menos o espera

Sofre amarga decepção.

Esse fiel companheiro,

De prestimoso nariz,

Parece ter farejado

O rasto de uma perdiz.

Anda e desanda inquieto,

Para avante e para trás,

Dar mil voltas e revoltas

Ao caçador ele faz.

E no momento solene

Do tiro se disparar,

Não perdiz, mas fico-fico

Surde da mouta a voar.

Então o justo despeito,

Que bem cabido aqui é,

Aconselha contra o bruto

Formidável pontapé.

Nesses catálogos

De livraria

Joio, avaria

Eu digo que há.

Leitor simplório

Quantas e quantas

E quantas mantas

Não levará!

Pomposo anúncio

Serve à lisonja,

E passa a esponja

Sobre o que é mau.

Esta ruim prática

Produz efeito,

Rende-lhe preito

Muito patau.

Do prelo espera-se

Livro excelente

E ao lê-lo a gente

Torce o nariz;

Vindo a propósito

O caso rico

Do fico-fico,

E da perdiz.