PARÁBOLA, DIREITO E AVESSO

By José Joaquim Correia de Almeida

Da casimira

Vendo-se a teia,

De um lado admira,

Mas do outro é feia.

Se isto respeita,

E cabe ao pano,

Também se ajeita

Ao ente humano.

Um, que aí vedes,

Jurisconsulto

Fura paredes

Só por indulto.

Aquele passa

Por ser fidalgo,

Porque na caça

Usa de um galgo.

Eis desse nobre

A fidalguia,

No mais se cobre

De vilania.

Este, modelo

De sã virtude,

Por mais podê-lo,

Mais nos ilude.

Estoutro goza

De sábio a fama,

Dá-nos babosa,

Dorme na cama.

Vate que escreve

Só de improviso,

Já nos ter deve

De sobreaviso.

Há na ciência

Da criatura

Muita aparência,

Muita impostura.