PARÁBOLA, O BESOURO

By José Joaquim Correia de Almeida

Tão reluzente e brilhante

Parece vestir-se de ouro

O profundo sussurrante

E monótono besouro.

Suponho que se enamora

De si próprio o tal inseto!

Porém, coitado! onde mora?

Qual seu palácio, seu teto?

E que excelentes manjares,

Ou adubado petisco

Fruirá nesses lugares

Mais imundos do que o cisco?

Um elegante e casquilho,

Cuja roupa é seu tesouro,

Imita não só no brilho,

Talvez no mais o besouro.