PARÁBOLA, O BESOURO
Tão reluzente e brilhante
Parece vestir-se de ouro
O profundo sussurrante
E monótono besouro.
Suponho que se enamora
De si próprio o tal inseto!
Porém, coitado! onde mora?
Qual seu palácio, seu teto?
E que excelentes manjares,
Ou adubado petisco
Fruirá nesses lugares
Mais imundos do que o cisco?
Um elegante e casquilho,
Cuja roupa é seu tesouro,
Imita não só no brilho,
Talvez no mais o besouro.