PARÁBOLA, O ORGANISTA
“Nós hoje brilhamos no órgão,
Tanto eu como o companheiro!
Não se ouviu no mundo inteiro
Harmonia tão acorde!”
Quando certo presumido
Ufanava-se destarte,
Assim a modo de aparte
Dirigem-lhe esta pergunta:
— Qual teu papel? Que papel
Teu companheiro fazia?
— Ele as teclas percorria,
E eu trabalhava no fole.
A cada momento ouvimos
Tal ostentação, tais gabos,
De muitos pobres diabos,
Que se supõem grande cousa.
Deputado vil comparsa
Representou de monjolo,
E, porque é ou nos crê tolos,
Enche a bochecha dizendo:
Suou-nos bem o topete,
Porém a efeito levamos
Projetos que elaboramos
Em prol do povo e da pátria.