PARÁBOLA, O POLÍTICO ANFÍBIO
O político leve
Se aventura e se atreve,
Sem ter princípios fixos,
E toma-se destarte
Igual a certos bichos
De toda e qualquer parte.
Nem só me presta o ganso
O exemplo do que avanço;
O marreco é dos ares,
O marreco é da terra,
E nem a água dos mares,
Ou dos rios o aterra.
E quantos patriotas
Voam como gaivotas,
Na terra não têm peias,
E nas ondas profundas
Nadam como baleias?
Vê lá, que os não confundas!
Se nadam e se voam,
E se a terra povoam
Todos esses bonecos,
Que nada têm de graves,
Não passam de marrecos,
Se é que eles são aves!