PARÁBOLA, O PREGOEIRO E ORADOR

By José Joaquim Correia de Almeida

Para solver certas dívidas

(Causa de muita desgraça!)

Procedia-se na praça

A uma arrematação;

E o pregoeiro monótono

Proclamava, a grandes berros,

Badulaques, velhos ferros,

Avaliados em tostão.

E depois mostra que ufana-se

De um obstáculo vencido,

Pelo qual há merecido

Aplausos e galardão.

Levantar a voz em público!

Limpando o suor da testa

Diz ele, não há como esta

Tão difícil profissão!

Vereis em qualquer das câmaras,

Onde muita gente fala,

Muito orador que se iguala

Ao pregoeiro civil.

Cheio de ardor e de estímulos,

Cada qual mais alto grita,

E destarte felicita

A pátria, o caro Brasil.

Depois, recobrando o fôlego,

Como quem venceu combate,

Na fronte orgulhosa bate,

Tendo-se em conta de mil.

Sou eu lá qualquer estúpido!

Diz, todo cheio de vento,

Não há neste parlamento

Discursar tão varonil.