PARÁBOLA, O PREGOEIRO E ORADOR
Para solver certas dívidas
(Causa de muita desgraça!)
Procedia-se na praça
A uma arrematação;
E o pregoeiro monótono
Proclamava, a grandes berros,
Badulaques, velhos ferros,
Avaliados em tostão.
E depois mostra que ufana-se
De um obstáculo vencido,
Pelo qual há merecido
Aplausos e galardão.
Levantar a voz em público!
Limpando o suor da testa
Diz ele, não há como esta
Tão difícil profissão!
Vereis em qualquer das câmaras,
Onde muita gente fala,
Muito orador que se iguala
Ao pregoeiro civil.
Cheio de ardor e de estímulos,
Cada qual mais alto grita,
E destarte felicita
A pátria, o caro Brasil.
Depois, recobrando o fôlego,
Como quem venceu combate,
Na fronte orgulhosa bate,
Tendo-se em conta de mil.
Sou eu lá qualquer estúpido!
Diz, todo cheio de vento,
Não há neste parlamento
Discursar tão varonil.