PARÁBOLA, O SOL E OS RELOJOEIROS

By José Joaquim Correia de Almeida

Dos astros o mais luzente

Subira ao alto da esfera,

Ia descer ao poente,

Pois meio-dia fizera.

De relógios mais de um cento

Uma hora diversa marca,

Se é trama, acaso, ou portento

Minha razão não abarca.

Quem sabe se os relojeiros,

Por imperícia ou suborno,

Mal dirigindo os ponteiros

Motivam esse transtorno?

Em tal divergência ou engano

Meu espírito não erra

Se crê no sol meridiano

Mais que em relógios da Terra.

Formam estes maioria,

Não passa o sol de unidade,

Porém é no astro do dia

Onde repousa a verdade.

Se muita questão se agita

No mundo sempre agitado,

Nem sempre a verdade habita

Das maiorias ao lado.