PARÁBOLA, OS ALFAIATES
Um alfaiate eu conheço,
que giza bem uma calça,
e, se faz um sobretudo,
talhe e costura realça.
Mas é de trato grosseiro,
não lisonjeia os fregueses,
chegando a usar de termos
que não são bem portugueses.
Há outro homem da tesoura,
que é todo amabilidade,
mas até para um colete
tem mui pouca habilidade.
Pergunto eu agora: um noivo
escolherá pelo rosto
qual dos dous possa fazer-lhe
um fato de melhor gosto?
Eleitores conscienciosos,
além de pão para a boca,
o Brasil ’stá exigindo
que lhe demos boa roupa.
Os amáveis candidatos,
que rabiscam jornalecos,
são como esses alfaiates
que apenas fazem jalecos.