PARÁBOLA, OS NEGOCIANTES

By José Joaquim Correia de Almeida

Há na corte um negociante,

que nada tem de cortês;

que nem café nem cerveja

vos oferece uma vez.

Mas, para quem o conhece,

e distingue as exceções,

a probidade em pessoa

ele o é nas transações.

Há um outro muito amável,

mui simpático e gentil,

que abraça e beija os fregueses,

e lhes faz carícias mil.

Porém não sei se é raposa,

gavião caracará,

irara ou gato do mato,

ou lobo ou tamanduá.

Pelo nome não se perca

o gracioso rapaz,

que é grão capitão nas contas,

quer na guerra quer na paz

Eu agora aqui pergunto,

e responda quem quiser:

Qual dos dous melhor parece

a quem negócios tiver?

Moralize o resultado,

quando votar o eleitor,

tanto para Deputado,

como para Senador.

É principal requisito

probidade sem labéu,

embora o probo, esquisito,

não nos tire seu chapéu.

Aquele que nos abraça,

e em geral aperta a mão,

pode ser caro, de graça

representando a nação.

Por teu bem onde acharias,

oh desditoso Brasil,

um segundo Zacarias,

tão probo e tão incivil?!