PARÁBOLA, OS NEGOCIANTES
Há na corte um negociante,
que nada tem de cortês;
que nem café nem cerveja
vos oferece uma vez.
Mas, para quem o conhece,
e distingue as exceções,
a probidade em pessoa
ele o é nas transações.
Há um outro muito amável,
mui simpático e gentil,
que abraça e beija os fregueses,
e lhes faz carícias mil.
Porém não sei se é raposa,
gavião caracará,
irara ou gato do mato,
ou lobo ou tamanduá.
Pelo nome não se perca
o gracioso rapaz,
que é grão capitão nas contas,
quer na guerra quer na paz
Eu agora aqui pergunto,
e responda quem quiser:
Qual dos dous melhor parece
a quem negócios tiver?
Moralize o resultado,
quando votar o eleitor,
tanto para Deputado,
como para Senador.
É principal requisito
probidade sem labéu,
embora o probo, esquisito,
não nos tire seu chapéu.
Aquele que nos abraça,
e em geral aperta a mão,
pode ser caro, de graça
representando a nação.
Por teu bem onde acharias,
oh desditoso Brasil,
um segundo Zacarias,
tão probo e tão incivil?!