PARÁBOLA, OS QUATIS
O quati, bicho daninho,
É flagelo da lavoura;
Seu voraz, longo focinho
Não rejeita a espiga loura.
Percorre, aos bandos, a roça,
E come e destrói o milho;
Zomba do cão que o acossa,
Sabe iludir o gatilho.
Quando o tiro se dispara,
Cai a turba vil por terra;
Cuida o homem que acertara,
Porém nos cálculos erra.
Procura debalde a presa,
Que supõe ferida ou morta;
Reconhecendo a esperteza
Fica então de cara torta.
Há funcionários no Estado
Que aos quatis levam as lampas;
Contra os tais não há cadeado,
E nem ferrolhos, nem tampas.
Esta praga tão nociva
Tem a roça no tesouro;
De dura goela e gengiva
São quatis que comem ouro.
O bando infame penetra
Os arsenais, as escolas,
As alfândegas et cetra,
E reduz o povo a esmolas.
E se o fiscal verdadeiro
Faz nestes quatis seu alvo,
Do primeiro ao derradeiro
Tudo escapa são e salvo.