[Parece que]

By João da Cruz e Sousa

Parece que nasceste, oh! pálida divina,

Para seres o farol, a luz das puras almas!...

Parece que ao estridor, ao frêmito das palmas

Exalças-te feliz a plaga cristalina!...

Parece que se partem, angélica Bambina,

As campas glaciais dos Tassos e dos Talmas,

Lá quando no tablado as turbas sempre calmas

Transmutas em vulcão, em raio que fulmina!...

E quando majestosa, em lance sublimado

Dardejas do olhar, olímpico, sagrado

Mil chispas ideais, titânicas, ardentes!...

Então sente-se n’alma o trêmulo nervoso

Que deve ter o mar, fantástico, espumoso

Nos grossos vagalhões, indômitos, frementes!!...