PASSANDO DOUS FRADES FRANCISCANOS PELA PORTA DE AGUEDA PEDINDO ESMOLLA, DEO ELA ...
Sem tom, nem som por detrás
espirra Águeda à janela,
mas foi espirro de trela,
porque tal estrondo faz:
que um Reverendo Sagaz
lastimado, do que ouvia,
se já não foi, que sentia
ouvia tal ronco ao traseiro,
disse para o companheiro,
“irra para tua Tia”.
Sentiu-se Águeda do irra,
e disse, perdoe, Frade,
quem pede por caridade,
não se agasta com tal birra:
aqui nesta casa espirra
todo o coitado, e coitada;
passe avante, que isto é nada,
e se acaso se enfastia,
será para sua Tia,
ou para seu camarada.
Basta, que se escandaliza
do meu cu, porque se caga?
Venha cá, boca de praga,
que cousa mais mortaliza?
o peido, que penaliza,
é sorrateiro, e calado:
o peido há de ser falado,
ou ao menos estrondoso,
porque aquele, que é fanhoso,
é peido desconsolado.
Quantas vezes, Frei Remendo,
dará co meio do cu
peido tão rasgado, e cru,
que lhe fique o rabo ardendo?
perdoe, pois, Reverendo,
não cuidei, tão bem ouvia;
e se esmola me pedia,
aceite-o por caridade,
se não servir para um Frade,
leve-o para tua Tia.