PASSANDO O POETA EM CERTA OCCASIÃO PELA PORTA DESTA GALHARDA DAMA REPAROU, QUE A...

By Gregório de Matos Guerra

Flores na mão de uma flor,

Floralva, nunca tal vi,

quem viu flores pela neve?

quem viu neve por Abril?

Flor, que fala, flor, que zomba,

e de toda a flor se ri,

deve ser nevado nácar,

ou nacarado jesmim.

Na esfera do vosso peito

souberam ontem luzir

as fragrâncias raio a raio,

os raios rubi, a rubi.

No peito as flores pusestes,

e eu não posso conseguir

a dita de vossas flores,

que sou convosco infeliz.

Não vi tal tropel de luzes

em concurso de jesmins

vibravam fragrância os raios,

chispavam fogo os Abris.

Porém, lembra-te Floralva,

que eu não passo por aí,

porque a vossa flor me cheira,

a que não me heis de admitir.

Importa estares de acordo,

que se entro em vosso jardim,

por mais que me defendais,

hei de colher, quanto vir.

Já não colherei a flor,

porque não sou tão infeliz,

mas co cheiro me contento,

que é dádiva do Brasil.