PEDE O POETA NESTA OBRA CONTA DO SEU PROCEDER À SUAS IRMÃAS EUGENIA E MACOTTA.

By Gregório de Matos Guerra

Eugênia, convosco falo,

e com Macota também,

dai-me novas de Babu,

se acaso dela sabeis.

Que me dizem, que esta noise

a bruxa se foi meter

e ninguém a viu em casa

até que amanheceu.

Dizei-me, se está arranhada,

porque se está, sinal é,

que andou por barro de folha

Carmo aquém, e Carmo além.

Eu não sinto estas mudanças,

e só me queixo, de que

correndo a cidade toda

não chegasse a esse vergel.

Porque pudera eu sair,

e acompanhá-la também

por todo esse lararipe

e embruxar toda a mulher.

A minha fora a primeira,

e morrendo de uma vez

casar-me-ia com Babu,

para ter cunhadas três.

Qualquer delas me fizera

mil regalos, mil mercês,

e engordando como um Conde

levará vida de rei.

Mas ela me tem tal ódio,

que fugirá té de ser

madrasta do Gonçalinho,

que é lindo enteado à fé.

Vós Eugênia, e vós Macota,

vigiai-me essa Mulher,

que é bruxa, e tem-se embruxado

desde a cabeça até os pés.

Porque ou há de resolver-se

a querer, que a queira eu,

ou lhe hei de tirar o sangue,

e o fadário há de perder.

Não quero, que seja a bruxa,

ou hei de sê-lo também

para acompanhar de noite,

e de dia a recolher.

Aliás hei de acusá-la

a seu Pai, quando vier,

porque se em prisões me mata,

em prisões morra também.