PEDINDO O AUTOR AO CONDE DE REZENDE UM BENEFÍCIO PARA UM SOBRINHO
Se em meio de altas coisas, em que trazes
Por serviço do trono o teu cuidado;
Se de importantes prosas rodeado,
De humildes versos algum caso fazes;
Ouve, ilustre senhor, singelas frases
De um antigo poeta aposentado.
Cujo assunto, por teima de seu fado,
Sempre é pedir que o livrem de rapazes:
Foi mão real, e nunca assas louvada,
Como em meus versos muitas vezes leste,
Quem me livrou da mais rapaziada:
É digna a tua de livrar-me deste;
Pior que todos; carga mais pesada;
Davam-me os outros pão, e eu dou-o a este.