Pelo mar do tédio

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Vou pelo tédio doloroso e amargo

Como quem vai, assim, tristonhamente,

Por um mar sempre largo, sempre largo.

Longe da terra verde e florescente.

Vou pelo tédio doloroso e amargo,

Sem levar na alma um cântico esplendente.

E enterrado num trágico letargo

Sinto o meu coração todo doente.

E não me canso de ir por essas vagas

Que não sei a que plagas, a que plagas

Sobem, revoltas, sob céus tristonhos!

O mar do tédio! o único dos mares

Capaz de amortalhar campos e lares,

E de vencer e amortalhar os sonhos!