Penitência

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Há sempre, em derredor de um túmulo fechado,

Mistérios e visões e lendas... Na verdade,

Todo o povo da vila anda, agora, assombrado

Pelo que vê da lua em plena claridade.

Uma sombra aparece, à luz do luar velado,

Muito branca e sutil, na branda suavidade

Dos cômoros que são, nesse imenso esplanado,

Mortalhas de ilusão nas ânsias da saudade.

Mas lembrei-me de ti, ó meiga flor celeste,

Que, nesta vida atroz, tanto me prometeste

Seres minha... só minha... e jamais de ninguém!

E, como não cumpriste o juramento feito,

Por isso é que o teu vulto anda, assim, desse jeito,

E a tua alma infeliz tal penitência tem!