Pesadelo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

A madrugada é toda uns recamos de prata,

E cada estrela lembra um branco lírio aberto,

Que, nas águas do mar tranquilo, se retrata.

A lua enche de luz todo o campo deserto.

Pela estrada da Barra, o aroma se desata

Dos aguapés em flor. Canta, murmura, perto

Da casa de Valésia a água de uma cascata.

Bate-me, com violência, o coração desperto.

Chego. Ausculto a parede. Ouço vozes lá dentro.

Rodeio então a casa, e, passos bambos, entro

Pela porta detrás. E a derrota prossigo,

Louco, ciumento, sob a pressão do meu zelo.

Mas, ó graças dos céus! Fugiu-me o pesadelo...

Valésia dorme e sonha, amorosa, comigo.