Plangência da tarde

By João da Cruz e Sousa

Quando do campo as prófugas ovelhas

Voltam a tarde, lépidas, balando

Com elas o pastor volta cantando

E fulge o ocaso em convulsões vermelhas.

Nos beirados das casas, sobre as telhas

Das andorinhas esvoaça o bando...

E o mar, tranquilo, fica cintilando

Do sol que morre as últimas centelhas.

O azul dos montes vago na distância...

No bosque, no ar, a cândida fragrância

Dos aromas vitais que a tarde exala.

Às vezes, longe, solta, na esplanada,

A ovelha errante, tonta e desgarrada,

Perdida e triste pelos ermos bala...