Plenilúnio

By Delminda Silveira de Sousa

Do ocaso arrebol pouco a pouco desmaia

A natureza dorme; é do silêncio a hora.

Marinha viração o mar sereno enflora

De espúmeas ondas que lhe vão morrer à praia.

Um véu de argêntea luz por Céus e terra espraia

O plenilúnio qual mimoso alvor de aurora;

De um penedo à sombra alva barquinha ancora,

E de saudade um canto o marinheiro ensaia.

Lá na amplidão azul a lua confidente

Dos noivados de Amor, pela noite silente

Derrama em doce luz os filtros da Poesia.

A alma sonhadora em cismas adormece

E da saudade a dor que os sonhos entristece

Repassa o coração de intensa nostalgia.