Plenus

By Delminda Silveira de Sousa

Estrela do poeta! Estrela dos amores!

Princesa d’Amplidão, do dia precursora,

vejo-te ao pôr do sol e d’alva nos palores,

n’aurora, sorridente, à tarde, cismadora.

Se aos lindos arrebóis d’aurora peregrina,

aljôfares derrama o Céu pelo jardim,

qual branco nenúfar, na água cristalina

resplendes, mais gentil que o cândido jasmim!

Um dia o sol no ocaso ardente descambava;

gemia terno canto o meigo sabiá;

da mata toda em flor, que aroma repassava

o ar que a noite pura amenizava já!

Soara — Ave-Maria —: ao Céu já sem fulgores,

ergui meu triste olhar, minh’alma ergui também;

Do Céu no manto azul, — estrela dos amores

como eras tu formosa, oh pálida cecém!

Meu triste coração chorava de saudades,

ao doce recordar de um tempo bem ditoso!

E de um bendito amor da mais santa amizade,

meu peito ressentia o puro extinto gozo!

Então não sei qu’encanto, ou que mistério doce

me fez no teu fulgor um lenitivo achar:

— a tua meiga luz brilhava — qual se fosse

de minha terna mãe o carinhoso olhar!...

E eu n’alma bem senti o influxo poderoso

daquele olhar de amor, que há tanto já não via!

Em lágrimas rolou meu pranto copioso

fazendo desbrochar os lírios da Poesia!

E assim te vejo sempre, — estrela dos amores,

estrela do poeta, ó flor do Céu mais linda!

e busco em tua luz conforto às minhas dores,

às mágoas de minh’alma, a esta saudade infinda!