POISSON D’AVRIL

By Emílio Nunes Correia de Meneses

Não há coisa tão pulha e tão cediça

Como essa de pregar insulsa peta

A primeiro de abril. (É de justiça

Dizer que não há disso na “Gazeta”).

Há quem mande anunciar que se diz missa

Por alma de quem vive. Há quem se meta

A enviar pastéis de areia ou de cortiça,

Ou do que lhe dá, acaso, na veneta.

Mas tudo isso é tão velho e tão batido

Que ninguém come do pastel funesto,

Nem ouve a missa pelo “falecido”.

Um, porém, teve graça, não contesto!

Foi o “poisson d’Avril” de um “a pedido”:

— O Monteirinho declarou que é honesto!