PONDERA QUE OS DESDENS SEGUEM SEMPRE COMO SOMBRAS O SOL DA FORMOSURA.
Cada dia vos cresce a formosura,
Babu, e tanto cresce, que me embaça,
Se cresce contra mim, alta desgraça,
Se cresce para mim, alta ventura.
Se cresce por chegar-me à mor loucura,
Para seres mais dura, e mais escassa,
Tal rosto se não mude, antes se faça
Mais firme do que a minha desventura.
De que pode servir, seres mais bela,
Ver-vos mais soberana, e desdenhosa?
Dai ao demo a beleza, que atropela,
Bendita seja a feia, e a ranhosa,
Que roga, que suspira, e se desvela
Por dar-se toda a troco de uma prosa.