PONDERA QUE OS DESDENS SEGUEM SEMPRE COMO SOMBRAS O SOL DA FORMOSURA.

By Gregório de Matos Guerra

Cada dia vos cresce a formosura,

Babu, e tanto cresce, que me embaça,

Se cresce contra mim, alta desgraça,

Se cresce para mim, alta ventura.

Se cresce por chegar-me à mor loucura,

Para seres mais dura, e mais escassa,

Tal rosto se não mude, antes se faça

Mais firme do que a minha desventura.

De que pode servir, seres mais bela,

Ver-vos mais soberana, e desdenhosa?

Dai ao demo a beleza, que atropela,

Bendita seja a feia, e a ranhosa,

Que roga, que suspira, e se desvela

Por dar-se toda a troco de uma prosa.