POR OCASIÃO DE ESTRANHAREM AO AUTOR UM SONHO QUE A NINGUÉM OFENDIA
Atiça, ó moço, a moribunda chama
Dessa faminta, sórdida candeia,
E encostado à parede cabeceia.
Posto de guarda ao pé da minha cama.
Se o sono que em meus olhos se derrama,
E os lânguidos sentidos me encadeia,
Tentar com sonhos esta pobre ideia,
Em altos gritos por meu nome chama:
Assenta-me na cara essas mãos frias:
Pois vês o fruto que sonhando tiro,
Corta em raiz traidoras fantasias.
Contra os sonhos desde hoje me conspiro:
Se ao primeiro me dizem heresias.
Em sonhando outra vez pregam-me um tiro!