POR OCASIÃO DE ESTRANHAREM AO AUTOR UM SONHO QUE A NINGUÉM OFENDIA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Atiça, ó moço, a moribunda chama

Dessa faminta, sórdida candeia,

E encostado à parede cabeceia.

Posto de guarda ao pé da minha cama.

Se o sono que em meus olhos se derrama,

E os lânguidos sentidos me encadeia,

Tentar com sonhos esta pobre ideia,

Em altos gritos por meu nome chama:

Assenta-me na cara essas mãos frias:

Pois vês o fruto que sonhando tiro,

Corta em raiz traidoras fantasias.

Contra os sonhos desde hoje me conspiro:

Se ao primeiro me dizem heresias.

Em sonhando outra vez pregam-me um tiro!