Por que sou triste

By Delminda Silveira de Sousa

Perguntas — “por que sou triste?”

— Pode, acaso, a violeta

ser, qual a rosa dileta,

tão leda e cheia d’encantos?

Vive a rosa entre os amores,

tem do sol um raio puro,

enquanto no val’escuro

só tem a violeta — prantos!

O seu perfume suave

no ermo a triste derrama;

si do sol os raios ama,

ah! não tem o seu calor!

Pois tal é minha existência...

assim s’esvai o meu sonho,

como no vale tristonho

o doce aroma da flor!

Do meu sonhar de venturas,

da minha doce esperança,

ai! só ficou-me a lembrança

no padecer da saudade!

E neste viver penoso

meu coração desfalece

e não mais sonha, padece

amarga realidade!

Ai! não perguntes ao triste

— por que é triste o peito seu!

Não queiras romper o voo

que o seu martírio ocultou!

Se um dia sentires n’alma

a dor que a esperança mata

terás uma ideia exata

de — por que tão triste eu sou!