Por que sou triste
Perguntas — “por que sou triste?”
— Pode, acaso, a violeta
ser, qual a rosa dileta,
tão leda e cheia d’encantos?
Vive a rosa entre os amores,
tem do sol um raio puro,
enquanto no val’escuro
só tem a violeta — prantos!
O seu perfume suave
no ermo a triste derrama;
si do sol os raios ama,
ah! não tem o seu calor!
Pois tal é minha existência...
assim s’esvai o meu sonho,
como no vale tristonho
o doce aroma da flor!
Do meu sonhar de venturas,
da minha doce esperança,
ai! só ficou-me a lembrança
no padecer da saudade!
E neste viver penoso
meu coração desfalece
e não mais sonha, padece
amarga realidade!
Ai! não perguntes ao triste
— por que é triste o peito seu!
Não queiras romper o voo
que o seu martírio ocultou!
Se um dia sentires n’alma
a dor que a esperança mata
terás uma ideia exata
de — por que tão triste eu sou!