POR VER HUMA OBRA EM QUE O POETA EXAGERA OS DONAYRES DE ANNICA DE SOUZA MULATA E...
Dos vossos zelos presumo,
Floralva, que são mentira,
porque donde Amor não tira
flama, não levanta fumo:
anos há, que me consumo
por vós, por vossos bons feitos,
e vós por certos respeitos
desviastes-me os prefumes,
e agora nestes ciúmes
sem ver causa, vejo efeitos.
Se me não tendes amor,
como zelos me fingis?
não mos dais, e mos pedis,
dai ao demo tal favor:
que importa, que chame eu flor
a uma papoula silvestre,
se neste globo terrestre
o que importa, é lisonjeira,
e eu nas artes de enganar
penteio barbas de mestre.
Vós sois verdadeira flor
no trato, e no parecer,
e eu só o sei conhecer,
porque sou taful de amor:
se jogásseis com primor,
como outras tafuis fizeram,
nunca elas vos excederam,
que a mim na tafularia
da conjugal dameria
sempre os dados me perderam.
E ainda que em todo o mapa
me vejais tratar com flores,
Floralva, isso são amores,
que arranco da minha capa:
só vós sois dama de chapa,
só vos sois flor às direitas,
e para deixar desfeitas
essas vossas presunções,
sabei, que isso são sezões,
que passam como maleitas.