Pororoca

By Delminda Silveira de Sousa

Eis a luta tremenda! — o poderoso rio,

Amazonas ingente, em face do Oceano,

Defende o passo seu com indomável brio,

Com força de gigante a bravejar insano!

Mas não cede o Titã, o grande rei dos mares,

Que altivo se levanta em vagalhões possantes,

E com fragor medonho, a rebramar nos ares,

Impávido arremete as águas ululantes!

Bramindo retrocede o fluvial colosso;

Invade-lhe o oceano o enorme, fundo leito;

qual jaguar feroz vencendo horrível fosso,

Derruba, arrasta o que lhe vem de encontro ao peito.

E rugem fúrias mil da luta no fragor

Que os ecos a tremer vão longe reboar;

Após, silêncio augusto: — o rio vencedor.

Subjuga, humilha alfim, o soberano mar!