Pranto amargo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Mulher, há quanto tempo humildemente lavas

Nas pedras dessa fonte! És uma pobre viúva,

E, para teres pão, lavas ao sol e à chuva,

Tu que o lótus do amor no peito acariciavas.

Moça, pelas manhãs de sol, como cantavas!

Eras linda e feliz. Frescas doçuras de uva

Possuías na boca. E o teu corpo, da luva

Possuía a maciez... E quando me abraçavas?

Mas, foi-se a tua branca e alegre mocidade

No torvelinho atroz da negra tempestade

De uns ciúmes de amor, nos profundos abrolhos.

Velha, vives, agora, a lutar nessa fonte

Que não parece vir das entranhas do monte,

E sim do pranto amargo e triste dos teus olhos.