Pranto no inferno
Neste mundo não há reminiscências
Do que a vida em si resume em dores,
Desde as suas primeiras florescências;
Desde as mais negras, venenosas flores.
O lírio branco, ideal, das inocências
Dos virgens corações trava amargores!
Trava a vinagre a essência das essências;
O imaculado afeto dos amores!
Tudo, na vida, é um lancinar de chagas;
Um revolver de imponderáveis pragas;
Um secreto tormento eterno... eterno...
Mas tudo isso seria, com certeza,
Mais negro, mais fatal, e mais tristezas
Se não corresse o pranto neste inferno.