Pranto no inferno

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Neste mundo não há reminiscências

Do que a vida em si resume em dores,

Desde as suas primeiras florescências;

Desde as mais negras, venenosas flores.

O lírio branco, ideal, das inocências

Dos virgens corações trava amargores!

Trava a vinagre a essência das essências;

O imaculado afeto dos amores!

Tudo, na vida, é um lancinar de chagas;

Um revolver de imponderáveis pragas;

Um secreto tormento eterno... eterno...

Mas tudo isso seria, com certeza,

Mais negro, mais fatal, e mais tristezas

Se não corresse o pranto neste inferno.