Prantos

By Delminda Silveira de Sousa

Vem, lira minha, ó doce companheira,

sócia nos risos, sócia n’amargura,

oh! meu consolo desde a dor primeira,

Chora comigo a grande desventura,

como outrora comigo pranteaste

minha mãe, meu amor, minha ventura!

Houve um tempo, — oh! meu Deus! — que adelgaçaste

o negro véu que te reveste agora,

e das mais ledas flores te adornaste...

Lembras-te, oh! lira? — Foi na fausta hora

em que nos braços apertei, saudosa,

o bom amigo que a minh’alma chora!

Tornara a vê-lo; a alma carinhosa

nos olhos lhe sorria, sempre triste,

qual presa de uma mágoa angustiosa...

Ah! como traduzir o que sentiste,

meu coração, tu, que o amavas tanto,

tu que na sua dor sempre o seguiste...

Naquela dor acerba, que o quebranto

no peito lhe infundiu, cruel, profundo,

deixando-lhe a existência imersa em pranto,

e as falsas esperanças deste mundo

quais rosas que pendidas murcham n’haste

o sul ao sopro gélido, iracundo!...

Alma serena e bela, que voaste

do Deus Eterno à plácida morada,

tu, que a palma de mártir conquistaste,

lá na Glória, onde estás, purificada,

lá, na celeste paz da Eternidade,

aceita de minh’alma angustiada,

— os suspiros, as mágoas, a saudade!