PRECES — Ave Maris Stella!

By Delminda Silveira de Sousa

Almas doridas, almas aflitas

por este vale de dor, prostradas,

preces ferventes, preces contritas

orai, serenas, de fé banhadas.

Calem-se notas ledas, festivas...

funda tristeza paira nos ares;

duros espinhos de mágoas vivas

brotam no horto dos tristes lares.

Auras que descem do Céu à terra

trazem gemidos, trazem quebranto;

nuvem sóbria que o mal encerra

passa, vazando chuvas de pranto.

Mas, sobre a espessa, vasta negrura

nessa tormenta desencadeada,

brilha uma Estrela mística, pura,

meiga, piedosa, imaculada.

Preces constantes, fervida prece

de amor extremo que em fé palpita,

nem um só dia noss’alma cesse

d’erguer à Estrela do Céu bendita.

Porto d’esperança, seguro porto,

fanal divino, — mostra-nos pia;

dos tristes lares em cada horto

semeia flores, Virgem Maria!

D’aurora à tarde, da tarde à noite,

no ar, na Terra, de sobre as águas,

suspenda o anjo de Deus o açoite,

Virgem das Dores, por tuas mágoas!

Maris Stella, Ave, Maria!

Vem, piedosa, oh, vem salvar-nos!

É longa a noite, escura e fria...

Maris Stella, vem, tu, guiar-nos...