Predição

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Entram pela janela uma luz outoniça

E o perfume da relva orvalhada. Na sala,

Junto à porta, chilreia uma alegre carriça,

Cuja asa aberta, em leque, em plena luz estala.

A saúde no olhar da Anselma é luz mortiça,

E as suas lindas mãos já têm a cor da opala...

Mas, de formosa que é, no passeio ou na missa,

Não há moça com quem a gente compará-la.

Nesta hora em que ela está sentada ao pé da porta,

E uns xadrezes de crivo ao bastidor recorta,

Para o seu enxoval, mal percebe, no entanto,

O que Raquel nos diz, quando as cartas espalha:

“É mais uma a coser sua própria mortalha.

Para cedo dormir na paz do campo santo”.