Pressentimento

By Juvêncio de Araújo Figueredo

A escuna fez-se ao mar, ao clarão das seis horas

De uma tarde de abril. Que o vento desejado

A conduza e lhe dê fulgurantes auroras,

Dias cheios de sol, noites de luar doirado!

Mas, o que vejo aqui? Aninhas, por que choras?

Que mágoa te consome o peito apaixonado?

Teu noivo não falou da choupana onde moras,

Não disse que seria ali o teu noivado?

Há uma idéia, porém, tremeluzindo pela

Alma desiludida e triste como a estrela

Que primeiro, da noite, entre as sombras brilhou...

E, com efeito, à luz tíbia da madrugada,

A escuna Flor do Mar era despedaçada!

E o rapaz nem sequer, morto, à praia voltou!