PRETENDENTE

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

O Rego saiu voando,

À procura de um emprego,

E entrou como um fuso o Rego

Em casa de um venerando

Chefe político que era,

Entre os grandes funcionários,

Um dos mais extraordinários,

Um trunfo, um dégas, um cuéra,

E já puxa a campainha,

E já lá vem o porteiro,

Que, vendo o Rego lampreiro,

Cousa nenhuma adivinha,

(O que ali levava o Rego

Era pedir proteção,

Pedir recomendação

Para obter qualquer emprego).

— “O conselheiro?” — “Senhor,

Há três minutos, apenas,

Acabaram-se-lhe as penas:

Rendeu a alma ao Criador.”

— “Que perda horrível! (murmura

O Rego, com a mão no peito)

Nunca houve homem tão perfeito...

Morre uma grande figura.”

Mas pisando o patamar,

Dizia com convicção:

— “Vim pedir-lhe proteção...

E ele me deixa o lugar.”