Prevendo a morte

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Que bruscas convulsões, que gestos, que estertores

No enregelado peito e músculos do Armando!

E o seu olhar torcido era a expressão das dores

Que lhe cavavam na alma uns ais, de vez em quando.

Suas faces, à luz dos ricos esplendores

Da tarde, num céu largo e lindamente brando,

Pareciam iguais às desoladas flores

Que se vão, pelo outono fora, desfolhando...

Não queria morrer! Mas, aos poucos, sua alma

Desprendia-se, assim como da verde palma

De Santa Rita, a cor se desprende, no altar...

Não queria morrer tão moço (ele dizia),

Deixando quem o amava e tanto o estremecia,

A chorar como chora, aflitamente, o mar.