Purificados

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ah! quantos corações como os rochedos

São assim tão frios e tão duros!

Todos ao chão por séculos seguros,

Penetrados de aspérrimos segredos!

Esses ficam nos longes dos degredos;

Abandonados nos painéis escuros,

Como espectros da treva, dos monturos,

Funambulescos, taciturnos, tredos...

Ah! quantos corações, de abismo em abismo,

Passam por esse eterno transformismo;

E, mudos, mudos, sepultados ficam...

Mas um dia virá, talvez, quem sabe?

Em que a mudez dos corações se acabe,

Pois todos sob a dor se purificam.