Quando

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quando eu, num dia, pelo Espaço a fora,

Por esse Espaço intérmino voar,

Em que florida e luminosa aurora

Terei a ave dos sonhos a cantar?

E este meu coração, que geme e chora,

Que tem contas de pranto a desfiar

A cada hora que chega, ou a cada hora

Que passa, em que caixão verei tombar?

Terá minh’alma a paz sempre querida

Pelos que passam nesta negra vida;

Passam buscando as límpidas distâncias?

E este meu pobre coração de limo

A que outra alma dará, mais tarde, arrimo?

Ou continuará nas mesmas ânsias?