[Quando eu partir]

By João da Cruz e Sousa

Quando eu partir, que eterna e que infinita

Há de crescer-me a dor de tu ficares;

Quanto pesar e mesmo que pesares,

Que comoção dentro desta alma aflita.

Por nossa vida toda sol, bonita,

Que sentimento, grande como os mares,

Que sombra e luto pelos teus olhares

Onde o carinho mais feliz palpita...

Nesse teu rosto da maior bondade

Quanta saudade mais, que atroz saudade...

Quanta tristeza por nós ambos, quanta,

Quando eu tiver já de uma vez partido,

Ó meu amor, ó meu muito querido

Amor, meu bem, meu tudo, ó minha santa!