QUEYXA-SE DE QUE NUNCA FALTEM PENAS PARA A VIDA, FALTANDO A VIDA PARA AS MESMAS ...
Em o horror desta muda soledade,
Onde voando os ares a porfia
Apenas solta a luz a aurora fria,
Quando a prende da noite a escuridade.
Ah cruel apreensão de uma saudade,
De uma falsa esperança fantasia,
Que faz que de um momento passe o dia,
E que de um dia passe à eternidade!
São da dor os espaços sem medida,
E a medida das horas tão pequena,
Que não sei, como a dor é tão crescida.
Mas é troca cruel, que o fado ordena,
Porque a pena me cresça para a vida,
Quando a vida me falta para a pena.