QUEYXA-SE DE QUE NUNCA FALTEM PENAS PARA A VIDA, FALTANDO A VIDA PARA AS MESMAS PENAS.

By Gregório de Matos Guerra

Em o horror desta muda soledade,

Onde voando os ares a porfia

Apenas solta a luz a aurora fria,

Quando a prende da noite a escuridade.

Ah cruel apreensão de uma saudade,

De uma falsa esperança fantasia,

Que faz que de um momento passe o dia,

E que de um dia passe à eternidade!

São da dor os espaços sem medida,

E a medida das horas tão pequena,

Que não sei, como a dor é tão crescida.

Mas é troca cruel, que o fado ordena,

Porque a pena me cresça para a vida,

Quando a vida me falta para a pena.