QUEYXAVA-SE IZABEL DO POETA, ELLE A SATISFAZ CAVILOSAMENTE NESTE ROMANCE.
Beleta, eu zombeteava,
que nunca falei deveras
satirizando as amigas,
senão contando finezas.
Vós não dormis co Alexandre,
nem o rapaz tal intenta,
nem da janela saltou,
nem foi passado por merda.
Tudo é embustes de moços,
tudo são contos de velhas,
e se o sítio o diz assim,
mente o sítio, e toda a terra.
Mas quem ao Amor tirara,
que mil ciúmes conceba
da mais pequena mentira,
e da mais leve suspeita.
Eu ouvia, e escutava,
e passava estas misérias
de manhã pelos ouvidos,
de tarde pelas orelhas.
Entendi, que assim seria,
imaginei, que assim era,
que a um amor de bom gosto
sempre acompanha má estrela.
Senti a minha fortuna,
queixei-me da vossa ofensa:
quem com finezas ofende,
como agradará com queixas?
Muger llora, y vencerás,
dizia a doutor Poeta,
vós chorastes, e vencestes,
e eu choro, por quem me vença.
Estais tão justificada
no juízo das suspeitas,
que Amor vos absolve já,
se lhe prometeis emenda.
Retirai-vos de rapazes,
que é gente, que se conversa,
é força, que infama a casa,
pelas cócegas, que deixa.
Enxugai, Beleta, o pranto,
em riso se torne a queixa,
comei cajus, e voltai,
que a minha fruita está certa.