REALÇA O POETA AS PERFEYÇÕES DE THEREZA NA MORTE COR DE HUMA ENFERMIDADE, QUE PA...
Na roça os dias passados
vi a Senhora Tetê
tão linda, como achacosa,
tão fraca, como cruel.
Não sei, que força escondida
sobre os meus sentidos tem,
que estando fraca a beleza,
não resisto a seu poder.
Se a doença é tão formosa,
como em Teresa se vê,
quem não trocara a saúde
pelos seus males? e quem,
seja púrpura no campo,
seja rubi no vergel,
não trocará o encarnado
por tão linda palidez?
As flores da laranjeira
vendo assentar-se-lhe ao pé,
todas ao chão se arrojaram
desesperadas de a ver.
Uma colheu ela as mãos;
outras pisou com seu pés,
e qual era a mão, a flor,
não soube enxergar ninguém.
Fez-se de flores um monte
a par da linda Tetê,
que por deixá-las luzir,
a tratavam de esconder.
De todo o monte de flores,
um ramilhete se fez
elas ao pé eram flores
e em cima era flor Tetê.
Os pássaros lhe cantaram
o seu lá sol fá mi ré,
crendo, que segunda aurora
lhes tornava a amanhecer.
A fonte parou seu curso,
porque a fonte, nem ninguém
pode ser corrente à vista
de uma Dama tão cortês:
Eu quis descobrir-lhe o amor
que a seus olhos consagrei,
como em aras de beleza,
onde se holocausta a fé.
Fui curto, não me atrevi,
temi, emudeci, calei;
sempre amor difere mal,
a quem não se explica bem.
De mim me queixo somente,
e do adágio português,
que diz, que o calar não dana;
e eu perdi, porque calei.
Se os Malmequeres do campo
por rainha aquela vez
a aclamaram, e elegeram
pela cor, e o mal me quer:
Eu dessa eleição apelo,
e fiado em minha fé,
dará volta o mal me queres,
e parará em querer bem.