REALÇA O POETA AS PERFEYÇÕES DE THEREZA NA MORTE COR DE HUMA ENFERMIDADE, QUE PA...

By Gregório de Matos Guerra

Na roça os dias passados

vi a Senhora Tetê

tão linda, como achacosa,

tão fraca, como cruel.

Não sei, que força escondida

sobre os meus sentidos tem,

que estando fraca a beleza,

não resisto a seu poder.

Se a doença é tão formosa,

como em Teresa se vê,

quem não trocara a saúde

pelos seus males? e quem,

seja púrpura no campo,

seja rubi no vergel,

não trocará o encarnado

por tão linda palidez?

As flores da laranjeira

vendo assentar-se-lhe ao pé,

todas ao chão se arrojaram

desesperadas de a ver.

Uma colheu ela as mãos;

outras pisou com seu pés,

e qual era a mão, a flor,

não soube enxergar ninguém.

Fez-se de flores um monte

a par da linda Tetê,

que por deixá-las luzir,

a tratavam de esconder.

De todo o monte de flores,

um ramilhete se fez

elas ao pé eram flores

e em cima era flor Tetê.

Os pássaros lhe cantaram

o seu lá sol fá mi ré,

crendo, que segunda aurora

lhes tornava a amanhecer.

A fonte parou seu curso,

porque a fonte, nem ninguém

pode ser corrente à vista

de uma Dama tão cortês:

Eu quis descobrir-lhe o amor

que a seus olhos consagrei,

como em aras de beleza,

onde se holocausta a fé.

Fui curto, não me atrevi,

temi, emudeci, calei;

sempre amor difere mal,

a quem não se explica bem.

De mim me queixo somente,

e do adágio português,

que diz, que o calar não dana;

e eu perdi, porque calei.

Se os Malmequeres do campo

por rainha aquela vez

a aclamaram, e elegeram

pela cor, e o mal me quer:

Eu dessa eleição apelo,

e fiado em minha fé,

dará volta o mal me queres,

e parará em querer bem.