RECEOSA SUZANA DAS CUTILLADAS DO POETA LHE PEDIO, DEPOIS DE SER DELE GOZADA, QUE A NÃO SATYRIZASSE: MAS POR ISSO MESMO LHE DESANDA COM ESTAS DÉCIMAS.
Não me posso ter, Susana,
por mais que mo encomendastes,
quando comigo cascastes,
que vos não cante a pavana:
fostes tão grande magana
naquele Xesmeninês,
que rebolando através
entendi, que em tal venida,
segundo estáveis ardida,
queria vir-vos o mês.
Vós mesma me confessais,
que sois tão quente mulher,
que antes do mês vos correr
mais do que nunca arreitais:
e depois quando enxugais
o canal, por onde corre,
tal desejo vos ocorre,
que se à borda já afligida
Perico lhe não dá vida,
ela por Perico morre.
Puta, que tanto se esvai,
antes que o menstro lhe aponte,
é que o caldo que entrou ontem,
lhe dá gosto, quando sai:
bem encaminhada vai,
quem por tal vasilha bebe,
pois a suportar se atreve,
que o gosto se lhe repita,
uma vez quando o vomita,
outra vez, quando o recebe.
E assim é de coligir,
quando na praia me destes,
que estava, pois tanto ardestes,
o menstro para vos vir:
tomara eu sempre advertir,
e saber, quando vos vem,
e quando se vai também,
porque então me fora à praia
a tempo que a mazumbaia
a não negais a ninguém.