Reencarnada

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ainda me lembro bem da loura Rosalina,

Que era, deste lugar, a linda flor agreste.

Sua boca lembrava a romã purpurina,

E os seus olhos o azul da abóbada celeste.

Mas, a morte a levou. E a minha alegre sina

Transfigurada foi em noite de cipreste.

E vem dessa desgraça a dor que me amofina,

E este luto de que minh’alma se reveste.

Hoje, no entanto, vejo entre gozos de amores,

Outra boca, assim, e outros iguais fulgores

De olhar... Mas que mistério encontro neste povo

Que tão crente me diz maravilhosas cousas!

E passo a compreender que, da sombra das lousas,

As almas podem vir para se unir de novo...